domingo, 10 de abril de 2022

“Nós ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos” (Capela dos Ossos, Évora)

    Évora é uma das cidades portuguesas com mais História e monumentos distintos, a começar pelo Templo de Diana ou Templo Romano de Évora, um dos templos em melhor estado de conservação na Península Ibérica, e, claro, sem esquecer a arrepiante Capela dos Ossos, localizada no interior da não menos emblemática Igreja de S. Francisco (ou Convento).


    Como a Capela dos Ossos de Évora existem várias capelas espalhadas por todo o mundo, havendo até mais em Portugal (especialmente no Alentejo e Algarve), mostrando também um interesse obscuro que o ser humano sempre teve pela ideia da Morte. Em muitos casos, foram construídas devido à necessidade de ter mais espaço nos cemitérios, que eram pequenos, fazendo a exumação dos corpos antigos para as capelas, de modo a “ganhar” mais espaço para enterrar outros mortos nos cemitérios. Ainda que seja uma ideia algo macabra, é inegável que estas Capelas conseguem ter uma beleza única.


    A Capela dos Ossos é um pequeno espaço dentro da Igreja de S. Francisco, construída no século XVII, por ideia de três frades franciscanos que queriam enaltecer a fragilidade humana e a morte como certeza da vida. Logo à entrada podemos ler, em tom de aviso: “Nós ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos” e antes de entrarmos já temos uma decoração com quadros que também remetem para o tema da Morte.


    Assim que entramos na Capela, não podemos ficar indiferentes ao seu tom pesado. Apesar de os tetos serem preenchidos com frescos em cores claras e douradas, todas as paredes e pilares da capela estão revestidos por crânios humanos, calculando-se que existam ali cerca de cinco mil caveiras, mas há algo que chama mais à nossa atenção: uma vitrina com dois corpos.


    Conta a lenda, que esses corpos pertencem a um pai e um filho que maltratavam a esposa/mãe e que na hora da morte da mulher esta lançou-lhes a maldição de que um dia que morressem os seus corpos nunca se iriam desfazer. Recentemente, alguns estudos vieram contrariar esta lenda, contrapondo que afinal os corpos são de uma mulher e de uma menina. No entanto, lendas são lendas e é sempre bom acreditarmos em algumas histórias que vão passando de geração em geração.
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Um grilo falante, que gosta de ler livros, escrever cartas, colecionar figuras e outras tralhas. Cinéfila assídua, apaixonada por viajar, seja em filmes ou, especialmente, no mundo real.

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