domingo, 15 de maio de 2022

Uma escapadinha às Aldeias de Xisto da Lousã

    É na Serra da Lousã que se encontram doze das vinte e sete Aldeias de Xisto que existem em Portugal. E como a Serra da Lousã fica a pouco mais de duas horas de Lisboa, tornou-se para nós o destino ideal para uma escapadinha de fim-de-semana, na qual decidimos também dar um saltinho a Coimbra – mas sobre essa parte falaremos noutra publicação, pois hoje vamos focar-nos apenas nas Aldeias de Xisto que visitámos. Apesar de não termos visitado as doze aldeias, optámos por visitar as principais e também alguns pontos de interesse nas redondezas. Então, este foi o roteiro que fizemos para o nosso primeiro dia deste fim-de-semana, incluindo também o local onde passámos a noite e que não podíamos deixar de recomendar.


CASTELO DA LOUSÃ

    Saímos de casa por volta das 07h30 e chegámos ao Castelo da Lousã ainda antes das 10H00, mas já com imenso calor para a altura do ano em que estamos (em Maio). O Castelo da Lousã oferece-nos uma paisagem embrenhada pela natureza, que José Saramago destacou como sendo “paisagisticamente, das mais belas coisas que em Portugal se encontram” (escrito também numa placa à entrada do Castelo). Para além do Castelo em si e da sua paisagem, perto temos também uma escadaria que pertence ao Percurso Pedonal Sra. da Piedade, que nos conduz a uma refrescante zona de piscinas naturais. Na altura em que fomos, estas estavam fora de serviço e não havia muita gente. Depois de subirmos novamente as escadas, pegámos no carro e seguimos em direção à primeira Aldeia de Xisto que íamos visitar…


CERDEIRA

    A Cerdeira é considerada a aldeia mais artística de todas elas, sendo a casa de muitos artistas, que devido a festivais e workshops de criatividade ajudaram a renovar a aldeia. Antes sequer de passarmos a ponte da entrada, somos surpreendidos pela vista para as suas casas construídas numa espécie de descida que se destaca no meio da serra com o contraste entre o tom do xisto e o verde das árvores. Depois, todos os cantos convidam à exploração, com pequenos detalhes espalhados por todo o lado, desde montras com exposições de artistas, pequenas decorações de madeira, flores… A Cerdeira é um espaço mágico e uma das mais originais Aldeias de Xisto da Lousã.

    Apesar de termos encontrado quase tudo fechado, aproveitámos para nos refrescar com uma Pepsi no Café da Videira, enquanto apreciávamos também a tranquilidade da Cerdeira. Depois de tudo visto, entrámos novamente no carro, com destino a outra das aldeias.


CANDAL

    O Candal é uma aldeia que fica mesmo à beira da Estrada Nacional numa curva, o que a torna numa das mais visitadas por estar num ponto estratégico. É ligeiramente mais pequena que a Cerdeira, mas tem mais movimento, tendo muitas das casas sido transformadas em alojamentos locais. Tal como a anterior, também nos oferece muita tranquilidade e uma fantástica vista através do seu “coração” de madeira localizado no topo de uma colina, que não é propriamente de fácil acesso, mas que compensa o esforço.


TALASNAL

    A terceira Aldeia de Xisto da Lousã no nosso percurso é talvez a mais conhecida de todas, o que se nota também pelo comércio e pelas pessoas (incluindo muitos estrangeiros). Assim que chegamos, damos logo de caras com uma pequena esplanada, onde várias pessoas se reúnem e notamos logo a diferença em relação às aldeias anteriores, onde não se via assim tanta gente (no Candal, notámos que havia muitas pessoas nos alojamentos e à Beira da Estrada, mas não havia muito comércio). Como chegámos à hora de almoço e a fome já apertava, decidimos procurar um sítio onde comer e rapidamente percebemos que O Curral era o único local aberto. E ainda que este sítio não servisse propriamente grandes refeições, tivemos um almoço repleto de queijos, presunto, chouriço assado, ovos mexidos com alheira e caldo verde, num espaço acolhedor e com uma decoração muito característica, com muitos objetos antigos e localizado numa espécie de beco, com uma pequena porta de entrada. Depois de almoço, visitámos ainda O Retalhinho, um pequeno café em que fomos convencidos pelo dono do espaço a provar um “retalhinho”, um pequeno bolo de castanha, que o mesmo disse-nos ter sido feito pela esposa – e quando um velhote nos gaba que a esposa faz bons doces, não conseguimos resistir, e gostámos da iguaria.


    Já de barriga cheia, começámos a explorar o Talasnal e os seus recantos encantados, começando pela fachada de uma das casas, com luzes e uma decoração com um coração, referente ao seu slogan – “Talasnal, montanhas de amor”. Apesar de a aldeia também não ser muito grande, notamos por todo o lado uma grande atenção aos pequenos detalhes, o que a torna muito hospitaleira.


GONDRAMAZ

    Desorientados pelo Google Maps, vimo-nos aflitos para chegar a Gondramaz a partir do Talasnal, tendo sido enganados pelo GPS que nos levou para o meio de uma central eólica, onde simplesmente ficámos sem rede e fomos salvos por duas mulheres habitantes em Gondramaz, que nos indicaram o caminho certo. Fica aqui a nota mental que os telemóveis e os seus mapas nem sempre nos conseguem ajudar a chegar ao nosso destino!


    Gondramaz é uma pequena aldeia que também tem uma forte presença artística e que se distingue pelas suas inúmeras esculturas espalhadas por todas as esquinas, feitas por um dos habitantes. Vemos retratos, cães e até coisas menos próprias esculpidas em pequenos detalhes na pedra, tornando esta numa das mais divertidas aldeias.


    Vemos que também houve um trabalho de renovação de muitas das casas, que agora são alojamentos locais. Mas no meio de tudo, destaca-se a Lojinha do Bezitante, um espaço de artesanato onde somos recebidos por uma senhora muito simpática (a Sra. Celeste Rodrigues), que imediatamente nos ofereceu pão e licor feito por ela.


GÓIS

    Apesar de não ser uma das Aldeias de Xisto, ao final da tarde, decidimos também dar um saltinho a Góis, visto íamos passar a noite perto daí. Infelizmente, não levámos fatos de banho, pois a nossa intenção não era ir a banhos, mas Góis tem para oferecer excelentes espaços de piscinas naturais, que são bastante frequentados pelos locais. Apesar de não termos ido para a água, ainda caminhámos um pouco antes de irmos para a nossa última Aldeia de Xisto da listagem…


COMAREIRA

    A mais pequena aldeia de todas, apenas com uma pessoa residente. Aqui existem só duas casas: a de uma habitante com o seu gado doméstico e a Casa da Comareira, um alojamento local, onde tínhamos reservado a nossa dormida.

    Chegámos à Comareira já ao final da tarde e fomos recebidos por vários gatinhos e cães, que se encontravam no alpendre do alojamento e que nos fizeram companhia enquanto montámos uma mesa no exterior para jantar com vista para a envolvente Serra da Lousã. Às vezes é só isso que procuramos: a tranquilidade da natureza. E este local proporcionou-nos uma das melhores experiências nesse sentido, pelo que não poderíamos deixar de recomendar este espaço para ficar e visitar. 


    No segundo dia da nossa escapadinha, partimos da Comareira em direção a Coimbra, que fica apenas a 40KM dali. Sobre a nossa visita a Coimbra, podem ler mais aqui.
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Um grilo falante, que gosta de ler livros, escrever cartas, colecionar figuras e outras tralhas. Cinéfila assídua, apaixonada por viajar, seja em filmes ou, especialmente, no mundo real.

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