sexta-feira, 27 de maio de 2022

Veneza, a cidade dos canais (Itália)

    Veneza é a cidade dos canais infinitos repletos de gôndolas, dos edifícios góticos e renascentistas e do Carnaval mais famoso do mundo. Localizada no norte de Itália, é também a capital da região de Vêneto, que se estende até Verona e Pádua, cidades que ficam apenas à distância de uma pequena viagem de comboio e que são facilmente acessíveis a partir de Veneza.

    Escolhemos o mês de Maio para visitar Veneza e evitar as maiores confusões das suas épocas altas (Carnaval e Verão) e a nossa viagem durou cinco dias, nos quais vimos o centro da cidade, as suas ilhas principais e ainda demos um saltinho às cidades vizinhas. Veneza não se fica pela sua ilha principal, motivo pelo qual em breve destacaremos num outro artigo também as suas ilhas de Murano, conhecida pelos seus vidros, e a colorida Burano.


Antes de mais, como chegar ao centro de Veneza a partir do Aeroporto Marco Polo?

    Na cidade de Veneza não entram carros, por isso, mesmo que o leitor alugue um carro, esse terá de ficar à porta. No nosso caso, achámos que a melhor maneira seria ir de autocarro, então apanhámos um que faz apenas a viagem entre Veneza e o Aeroporto. É um autocarro direto e cada viagem custa 8,00€ (com a bagagem incluída), gerido pela ATVO. A paragem e o posto de venda dos bilhetes fica logo à saída do terminal do aeroporto e a viagem dura cerca de vinte minutos até à Piazzale Roma, a entrada de Veneza – a partir de onde só será possível ir a pé, visto que Veneza não tem estradas, apenas canais com vaporettos, passeios e muitas pontes.


E se o voo já chegar de noite a Veneza…

    Não é um dia perdido! No dia em que chegámos a Veneza, já era final de tarde e rapidamente anoiteceu, por isso a nossa primeira dica é, caso vos aconteça algo semelhante, não deixem de dar um passeio noturno, porque Veneza é uma cidade linda à noite e extremamente segura. Não percam a vista do Grand Canal iluminada pelas luzes dos restaurantes, nem a Ponte dos Suspiros, que à noite ganha um tom ainda mais místico.

    O nosso alojamento (Inlaguna, cujo proprietário Gianluca foi super atencioso connosco) situava-se na zona do Dorsoduro, mais para sul e um pouco afastada do centro, por isso as nossas caminhadas começavam sempre na zona da Ponte Rialto (que ficava a cerca de vinte minutos do Inlaguna), que dá um fácil acesso a tudo o resto.


O que não perder em Veneza?

1 – Ponte Rialto e a sua vista para o Grand Canal

    A Ponte Rialto é uma das imagens de marca de Veneza e um dos seus pontos turísticos mais visitados, pelo que é importante o visitante ir a contar com uma grande multidão de gente na ponte, porque afinal de contas é a partir da mesma que temos uma das mais bonitas paisagens de Veneza, para o Grand Canal. A ponte em si distingue-se pelos seus arcos e pelo seu tom branco no meio de tantos prédios coloridos e toldos de restaurantes à beira do canal. Durante muito tempo, esta era a única passagem pedonal no Grand Canal, sendo a mais antiga de Veneza.


2 – Praça de São Marcos

    Não é, certamente, uma das Praças mais conhecidas da Europa, mas é impossível chegar à Praça de São Marcos e não se ficar deslumbrado com a sua grandiosidade, especialmente com os 98,5m de altura do Campanário, que por muito que recuemos na Praça é sempre difícil de fotografar por completo com a máquina fotográfica. A Praça é viva, com muitas pessoas, claro, mas também com muito para ver: desde a Basílica de São Marcos, a Torre do Relógio e os vários cafés. Logo ali ao lado, temos também o Palácio Ducale.


3 – Palácio Ducale e as estátuas dos Leões de Veneza

    Numa das laterais da Praça de São Marcos, temos a passagem para a Piazetta, onde se localiza o Palácio Ducal e onde podemos ver também duas colunas, sendo uma delas com o Leão de Veneza, o principal símbolo da cidade e da região, e outra com o patrono da cidade. É também nesta zona que temos uma maravilhosa vista para a Lagoa de Veneza, no noroeste do Mar Adriático.


4 – Ponte dei Sospiri

    Ao passarem pelo Palácio Ducale, não pisquem os olhos ou podem perder a Ponte dos Suspiros! Verdade seja dita, antes de verem a Ponte, conseguem logo perceber que é ali que vai estar, pois uma multidão constante vai estar parada à sua frente a tirar-lhe fotografias. Ou não fosse este um dos locais mais visitados de Veneza! Conta a lenda que pela ponte passavam inúmeros prisioneiros em direção às suas celas e que ali suspiravam ao ver a luz de Veneza pela última vez.


5 – Arsenal de Veneza

    Depois de se sair da Praça de São Marcos, passar pelo Palácio Ducale e pela Ponte dos Suspiros, basta seguir-se sempre em frente ao lado da Lagoa e não tarda a chegarmos ao Arsenal de Veneza, um estaleiro e base militar e naval ao estilo bizantino e renascentista que desempenhou um grande papel na formação e defesa da República de Veneza, originalmente construído no século XII. As enormes estátuas de Leões e a sua entrada merecem uma observação atenta, por isso não deixem de se sentar no café ao lado e aproveitem para passar um bom bocado a ver a arquitetura do Arsenal enquanto bebem um Caffè Crema.


6 – Libreria Acqua Alta

    Considerada uma das livrarias mais bonitas do mundo, é também uma das mais originais, com várias gôndolas no interior a servir de prateleiras para os livros e ainda uma escadaria exterior, onde muitos pousam ao longo do ano – juntamente com uma bandeira de Veneza. Na nossa visita, infelizmente não os vimos, mas há também vários gatinhos residentes no local (tivemos de nos contentar com os avisos sobre a presença dos felinos). Perto da Libreria, situa-se também a Ponte Tetta, com uma vista que se distingue por apresentar um canal dividido ao meio.


7 - Basílica dei Santi Giovanni e Paolo

    No Campo de Santi Giovanni e Paolo, encontramos uma grande variedade de restaurantes, pastelarias e também a Basílica de Santi Giovanni e Paolo, que vale a pena uma visita. Esta é uma das maiores basílicas de Veneza e no seu interior podemos encontrar pinturas de Giovanni Bellini, Paolo Veronese ou Giovanni Battista Piazzetta e ainda os túmulos de vários doges. A entrada para a Basílica custa 3,50€ e há também um desconto para estudantes, com bilhetes a apenas 1,50€.


8 – Vista da Fondamente Nove para o Cemitério de San Michele

    É numa das ilhas de Veneza que se localiza o Cemitério de San Michele, o único da cidade (desde 1807, quando durante a ocupação francesa passou a ser proibido enterrar os mortos na ilha principal, sendo os mesmos transportados em gôndolas até ao Cemitério). Mesmo que visitar Cemitérios não faça parte do objetivo turístico do leitor (e uma vez que para lá ir é necessário apanhar um vaporetto), vale a pena ir até à Fondamente Nove, no norte de Veneza, para ver a vista para o Cemitério de San Michele, nem que seja para admirar a sua arquitetura vista ao longe.


9 – Gran Teatro La Fenice

    Mesmo sem bilhete para assistir a uma ópera, o Teatro La Fenice é um dos mais conhecidos do mundo (e já foi destruído e reconstruído inúmeras vezes) e vale a pena vê-lo, mesmo que seja só de passagem. A arquitetura exterior também se destaca entre os prédios de Veneza, especialmente com o seu emblema em ouro pendurado no pórtico da entrada.


10 – Ponte dell’Accademia

    Se procuram a melhor vista de Veneza, é para aqui que devem ir. A Ponte dell’Accademia, situada por cima do Grand Canal, assim como a Ponte de Rialto, presenteia-nos com uma vista inesquecível para a Basílica de Santa Maria della Salute, que fica ainda mais bonita com os tons dourados do sol a pôr-se ao final do dia. Ainda que tenha também muita gente, relativamente à Ponte Rialto é um local muito mais pacífico.


11 – Basílica de Santa Maria della Salute

    E por falar em grandes vistas de Veneza, é também a partir da Basílica de Santa Maria della Salute, localizada mais a sul na Punta della Dogana e construída para assinalar o fim da peste, que temos uma das paisagens mais bonitas, diretamente para a Lagoa de Veneza e com o Campanário de São Marcos ao longe.


12 – Campo de Santa Margherita

    Se procuram refeições mais acessíveis num local mais calmo e afastado dos pontos turísticos, o Campo de Santa Margherita é o sítio perfeito. É mais tradicional, não tão “tourist trap” e com uma arquitetura fascinante que convida a tomar uma refeição numa das várias esplanadas. Localiza-se não muito longe da Ponte de Rialto e os preços são relativamente mais baratos.


13 – Arco del Paradiso

    Localizado perto do Campo de S. Maria Formosa, o Arco del Paradiso, na Ponte del Paradiso, pode passar despercebido, mas é mais um pequeno tesouro na arquitetura de Veneza. Este é um arco gótico (do século XV) em formato triangular que mostra uma Madonna a segurar o seu manto, enquanto faz uma oração.


14 – Ca’Macana

    Vale a pena entrar no espírito do Carnaval e visitar algumas das dezenas de lojas de máscaras que existem pela cidade. Destacamos a Ca’Macana, a loja que foi responsável pelo fabrico das máscaras usadas no filme Eyes Wide Shut (1999) de Stanley Kubrick, com Tom Cruise e Nicole Kidman. Existem várias lojas Ca’Macana e é possível ainda ver como são feitas as máscaras, com pasta de papel.


    Veneza é uma cidade distinta que nos deslumbra com pedaços de arte a cada esquina. Os seus canais refrescam-nos nos dias quentes e encantam-nos com o seu movimento de água provocado pelas centenas de gôndolas que por ali navegam. A melhor (e quase única) maneira de a visitar é a pé, por isso preparem-se para caminhar muito. Ainda que não seja uma cidade muito grande, o facto de existirem canais por todo o lado complica a deslocação, porque é preciso andar sempre a subir e descer pontes, mas o encanto da cidade está também aí, nesta sua maneira tão particular de a explorar.
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante, que gosta de ler livros, escrever cartas, colecionar figuras e outras tralhas. Cinéfila assídua, apaixonada por viajar, seja em filmes ou, especialmente, no mundo real.

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