domingo, 10 de abril de 2022

Uma escapadinha ao Alentejo (Montemor-o-Novo, Arraiolos, Monsaraz e Évora)

    Não há nada melhor do que uma escapadinha ao nosso Alentejo para descansar um pouco da agitada rotina lisboeta. O Alentejo tem tanto para nos oferecer, desde as suas cidades principais, às mais pacatas e sem esquecer a sua deliciosa gastronomia, cujo pensamento sobre a qual é capaz de nos deixar imediatamente de água na boca. Numa das nossas primeiras aventuras juntos, decidimos fazer uma escapadinha de fim-de-semana ao Alentejo, com destino a Évora, que fica a pouco mais de hora e meia de distância da capital. Saímos de casa cedo, porque a nossa intenção não era seguir de imediato para Évora, mas sim também visitar algumas cidades pelo caminho…


MONTEMOR-O-NOVO

    
    Montemor-o-Novo salta à vista quando vamos a caminho de Évora, uma vez que o seu Castelo faz parte da paisagem. Esta foi a nossa primeira paragem, quando íamos com cerca de uma hora de viagem, mesmo a tempo de tomarmos o pequeno-almoço na pastelaria “Almodovar”. E chegando a esta zona do Alentejo, nada melhor do que começar logo o dia com uma empada de galinha, antes de partirmos à descoberta do Castelo de Montemor-o-Novo, que ao longe parece um cenário de Game of Thrones.

    No ponto onde se localiza o castelo, houve em tempos estradas romanas. Foi séculos mais tarde fortificado, inicialmente pelos muçulmanos, e durante a época medieval foi recuperado pelas forças portuguesas lideradas por D. Sancho I, durante a reconquista cristã da Península Ibérica. Devido à sua localização estratégica, foi repovoado e passou a ser um ponto de defesa, tendo começado aí a construção do castelo medieval, que ao longo dos séculos sofreu várias alterações e remodelações. Atualmente, o castelo encontra-se maioritariamente em ruínas.


ARRAIOLOS


    A nossa segunda paragem é famosa pelos seus famosos tapetes. Quem nunca ouviu falar dos Tapetes de Arraiolos? E esta é uma terra que se orgulha disso, espalhando os ditos tapetes por todo o lado e explorando também esta Arte e a sua História. Chegados a Arraiolos, já o estômago dava horas e fomos almoçar ao restaurante “República do Petisco”, onde comemos uns deliciosos secretos de porco preto com migas alentejanas e também uma maravilhosa sericaia. Se visitarem Arraiolos, não podem perder uma visita a este restaurante, com comida que nos aconchega muito bem o estômago!


    Em Arraiolos, um dos sítios a visitar é o Centro de Interpretação do Tapete de Arraiolos, que ensina mais sobre a origem do tapete e o modo como se faz, com exposições dos tapetes e também sobre as misturas das cores que os compõem. É um Museu pequeno, mas vale a pena a visita. Outro local a visitar é a pequena Capela de Arraiolos e a sua muralha, também com uma bonita vista para a cidade – mas cuidado, para não estacionarem os carros mesmo em cima da capela!


MONSARAZ


    Saindo de Arraiolos, fomos direitos a Monsaraz, passando pelo caminho por Reguengos de Monsaraz e também pela pequena “Capital do Barro”, São Pedro do Corval, com as suas lojas de olaria tipicamente alentejana. Já em Monsaraz, nada melhor do que começar com uma visita ao Castelo de Monsaraz, para apreciar a vista sobre as planícies.


    O Castelo de Monsaraz remonta aos tempos da Reconquista Cristã e as suas obras prolongaram-se por vários reinados. Devido à sua localização estratégica, o rei D. Afonso III mandou erguer a alcáçova e as torres, para aumentar o povoamento e a defesa. No reinado seguinte, também D. Dinis mandou construir a Torre de Menagem e a parte exterior e D. Fernando, mais tarde, mandou fazer a separação entre o castelo e a vila, com a barbacã exterior.


    Para além do castelo e da fortificação, Monsaraz encanta-nos também com as suas pequenas ruas rústicas e com a maneira acolhedora com que nos recebe, sendo um local que não nos cansamos de visitar.


ÉVORA


    Évora é uma das cidades principais do Alentejo e talvez aquela que também tem mais turismo e tanto para oferecer: desde o Templo de Diana, à Praça do Giraldo e a Igreja de S. Francisco com a Capela dos Ossos.


    Comecemos pelo Templo de Diana ou Templo Romano de Évora, um dos monumentos mais conhecidos do nosso país, que é também um dos templos mais bem preservados da Península Ibérica, tendo sido considerado Património Mundial pela UNESCO em 1986. É, sem dúvida alguma, o cartão-de-visita de Évora. Construído no início do século I d.C., com colunas em estilo coríntio, fica situado mesmo no centro histórico, no Largo Conde de Vila Flor, próximo da Sé Catedral de Évora.


    A um passo de distância, temos a Igreja de S. Francisco (ou Convento), de estilo gótico-manuelino, construído entre 1480 e 1510 e tendo sido, segundo a tradição, a primeira Casa da Ordem Franciscana em Portugal. Dentro do edifício, existe regularmente uma exposição de presépios e é também aí que podemos encontrar outros dos principais pontes de interesse de Évora: a Capela dos Ossos.

    A Capela dos Ossos é um pequeno espaço dentro da Igreja de S. Francisco, construída no século XVII, por ideia de três frades franciscanos que queriam enaltecer a fragilidade humana e a morte como certeza da vida. Logo à entrada podemos ler: “Nós ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos”. Todas as paredes e pilares da capela estão revestidos por crânios humanos, calculando-se que existam ali cerca de cinco mil caveiras. Também ali temos dois corpos, dizendo a lenda que são de um pai e de um filho que maltratavam a mãe, que ao morrer os amaldiçoou, dizendo que os seus corpos nunca se iriam desfazer.


    Em Évora, continuámos também com as nossas experiências gastronómicas, com um almoço no restaurante “Medieval”, que nos serviu uma das melhores sericaias com ameixa que já comemos, pelo que não podíamos deixar de o recomendar! E continuando a falar de comida, no caminho de regresso a casa, houve ainda tempo para uma paragem em Vendas Novas para terminar esta escapadinha com uma deliciosa bifana!
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante, que gosta de ler livros, escrever cartas, colecionar figuras e outras tralhas. Cinéfila assídua, apaixonada por viajar, seja em filmes ou, especialmente, no mundo real.

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